terça-feira, 31 de agosto de 2010

Oriximiná 2

Segundo dia de atendimento em Oriximiná. O dia foi mais agitado e puder conhecer várias histórias. As distâncias aqui me impressionam ainda.
Viagens de barco. Horas remando. Tudo por um atendimento no Prevbarco. Isso não é um menosprezo. Mas penso no que eles passam para chegar até nós.
Andamos horas para chegar aqui, e mesmo assim, encontramos pessoas que fizeram trajetos parecidos ou maiores que o nosso.
Isso só demonstra que, as distâncias são gigantescas. Vivênciamos o acesso ao direito previdenciário através do Prevbarco, mas que, para, além disso, fico imaginar quantos mais aqui queriam chegar. Quantos não tiveram condições de sair dias antes. Quantos fizeram previsões e aqui não chegaram.
O Prevbarco consegue uma façanha incrível, e é por isso que sua existência é de fundamental importância para uma nação tão grande que apresenta o acesso aos direitos ainda muito limitado.
Eu sabia que viria para o Prevbarco. Inicialmente pensei que iríamos passar e parar nas comunidades ribeirinhas. Quando cheguei em Oriximiná vi que nosso local de parada é a cidade. O meio urbano. Mas as histórias que cheguem aqui, essas sim, são legítimas da Amazônia que ousei a pensar. Claro, ela é muito maior que meus pensamentos. Tem muito mais particularidades do que meus pensamentos.

Hoje pensei mais uma vez o que é viver no isolamento. Penso sempre na condição da pobreza e tudo que a ela remete. Vivemos um estado de pobreza que não é nada romântico como alguns querem fazer. É um estado de pobreza que dói no estômago, que machuca. Mas unir, extrema pobreza com isolamento social. Isso sim é difícil.
Alguns podem discursar, “nos conglomerados urbanos ainda encontramos pessoas isoladas”. Mas nos conglomerados urbanos não vivemos o dia-a-dia da falta de comunicação, do medo de morrer por ataques de animais, da luta por uma miséria de educação.
Quando soube que crianças da região saem às 2 horas da manhã para ir à aula, pensei, “que Brasil, em que tipo de Brasil eu vivo”, “o que é ser criança”. Dificilmente elas descobrirão o que é ser criança, a que brinca, que dorme a noite, que tem sono tranqüilo, que tem acesso a alimentação. Enfim, só torço que sejam felizes na sua infância, que façam um dia da pobreza uma lembrança, uma barreira já ultrapassada.

Antes que pensem, ou que comentem... eu não tenho a pretensão de fazer desse diário um estudo teórico, não neste momento.
Estou à vontade para escrever o que realmente me vem à cabeça, então vejam o mesmo como um diário. Que pode ter frases soltas e meio desconexas...mas enfim, chega de blábláblá.

Ah, o cais continua movimentado, tem barco todo dia para Santarém, e descobri que eles tem um valor menor do que eu pensava, no que concerne a passagem. Aqui tudo chega de barco. Agora por exemplo estão carregando cervejas para municípios menores. Antes estavam carregando farinha, sacos enormes, mas não sei de quantos quilos. As crianças estão aqui na frente pescando. Ah, ontem também pesquei um peixe, me limitei a um, e não foi por falta de tentativa. Mas não sei o nome dele não.
A noite não sei se vai ter alguma coisa, tínhamos combinado de tomar açaí, ainda não experimentei. Espero que seja melhor que tucupi e tacaca. Não gostei mesmo de experimentar isso. Mas não tenho do que reclamar. A tia do barco faz uma comida maravilhosa. E o creme de cupu nem se fala. Acabei com ele hoje de tarde.
Ah, queria postar fotos, mas a net é extremamente lenta, isso quando conecta. Assim que puder coloco aqui as fotos que já tirei...amanhã ou logo logo tem mais.
Abraços
Tchau!!!


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Oriximiná

Oi pessoal!!
Dormimos em Oriximiná, cidade simpática e que verdadeiramente não parece estar no estado do Pará. Conheci outras regiões deste estado e suas ruas sem pavimentação são quase que uma regra....
Em Oriximiná encontramos uma outra realidade, cidade organizada e com um cais super movimentado.
Amanhece e o trabalho inicia. O movimento foi grande e puder já conhecer um pouco mais desta cidade, a qual possuí o segundo maior território 
O movimento também não é só nos atendimentos, mas no próprio cais, barcos atracam a todo momento e em seguida partem rumo a Santarém e Manaus. As redes coloridas fazem o barco virar uma pintura clássica, mas confesso que deve ser um tanto quanto dificultoso permanecer ali....os barcos já nos balançam, imaginem em cima de um rede...enfim, natural para a realidade local.
A noite a cidade fica mais calma, e nós preferimos permanecer no barco, degustando um creme de cupuaçu delicioso. 
Durante todo o dia tentei realizar as postagens, mas nunca tem sinal por aqui....essa postagem esta indo depois de horas de insistência...e o importante é mesmo que ela vá...
Abraços, até amanhã.

Saindo do Tapajós

Nosso “até mais” a Santarém ocorreu por volta das 08:00 horas. Deixamos as águas claras do Tapajós e adentramos rio Amazonas.
Águas barrentas e profundas dividem o cenário com matas e populações ribeirinhas.
Café da manhã de primeira, e momento de conhecer os colegas de trabalho, este vindos da Bahia, Minas Gerais e de outras cidades do Pará. O almoço trouxe peixe, acari era o nome dele.....não provei, não parecia ser muito simpático. Começou à tarde, lenta, quente e com paisagens curiosas.
É engraçado ver essas paisagens. É engraçado pensar que elas existem, que estão na minha frente. Casinhas isoladas “do mundo”, isoladas de tudo, menos da terra, da natureza, do ar puro, como se isso fosse de menos...
Essas vistas, os abanos que recebemos desses moradores de terras tão longe (me lembro de Camões agora) demonstram um ar de “boas-vindas”, de “que bom que vocês vieram”, “estávamos aguardando vocês”.
Palafitas órfãs compõem as beiras do rio, alguns gados e porcos soltos ficam a beira do amazonas (ah se eles soubessem o que é o amazonas). Sob o forte sol homens pescam, enquanto outros dormem até ter um número de peixes enredados satisfatório. O amazonas me trás muitos pensamentos, lembro da minha infância curiosa por essa terra, por terra virgem, mata, animais, índios (pensamento infantis, mas que a mim era grandiosos) e chegar a vivencias isso tudo era uma sonho quase impossível, mas também já começo a observar um sentimento ambíguo e contraditório. Um rio gigante em meio a uma terra linda com suas peculiaridades, suas belezas as quais parecem quem nenhum homem aqui existe, ao mesmo tempo trás consigo cidadãos que aqui sempre viveram, que nunca tiveram a oportunidade de escolher se daqui queriam ficar ou sair, que não conhecem outros “mundos” outros “brasis”, que não tiveram opção de escolha.
Mas a subida ao rio amazonas continua, passamos por Óbidos, o qual será nossa última parada antes do retorno a Santarém.
Agora a viagem continua a caminho de Oriximiná, cidade esta que permaneceremos até sexta-feira. Seguimos andando e não só quero como preciso de vocês aqui comigo.
Notícias em breve!!!
Abraços!!!
Anderson

Bem vindo ao Diário de um Assistente Social

A partir de hoje você irá nos acompanhar em mais uma das etapas do Prevbarco II/PA. O Prevbarco é uma Agência da Previdência Social móvel que realiza atendimentos em alguns estados do país, todos situados na região norte.
O que você terá privilégio de acompanhar é o Prevbarco II, pertencente à Gerência Executiva de Belém. Porém ressalta-se que seu pólo de atendimento é a região de Santarém, cidade está da qual partimos.
Santarém nos recebeu muito bem com seu calor, suas praias e suas lindas belezas naturais. A apresentação pré-Sairé do Boto Tucuxi demonstrou o calor cultural dessa terra, sua alegria e sua festividade. A Alter do Chão coube mostrar suas belas praias, sua ilha e seu ar pitoresco, o qual vira um charme no Pará.
Venha comigo, nisso que promete ser uma rica e linda experiência. Eu sou Anderson, Assistente Social, atuo nas APS de São Félix do Araguaia e Confresa ambas no Mato Grosso, e estou contando com você.